Poemas.

À Beira-Mar

By Lobodomar · June 17, 2008 · 9 Comments · 12 Views

(Lighthouse - Leonid Afremov)
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À BEIRA-MAR
(Rita Costa & André L. Soares)
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Convém camuflar
nas profundezas da alma
as palavras mais puras.
Fixar o olhar na areia macia
onde, a todo instante,
a espuma branca faz carícias.

Melhor seja que a brisa
– mistura de sal e maresia –
castigue os lábios em sorriso,
carregando pro mar
o mais leve sussurro,
pairando sobre as ondulações
as palavras proibidas.

Sendo assim,...
que só as aves marinhas
decifrem a poesia que existe
quando minhas lembranças,
façam aflorar dos sentidos
os desejos mais além,...
mergulhando-as em sonhos,
no abissal das emoções...
como convém!
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Soneto à Utopia

By Lobodomar · June 9, 2008 · 5 Comments · 21 Views

(Afternoon Repose - Egidio Antonaccio)
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SONETO À UTOPIA
(André L. Soares)
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Quero dizer tudo que penso sem ter medo,
atravessar tão livremente esse horizonte,
como se fosse a simples água de uma fonte,
tocando a vida como quem faz um brinquedo.
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Inaugurar um novo estilo, hoje me atrevo,
acreditando que o melhor não está distante,
mas muito perto, suplicando que se encontre
a chave-mestra que revele os mil segredos.
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Parte consiste em garantir nossos direitos,
fazendo então prevalecer na sociedade
o amor ao justo, como a base dos preceitos,
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para que assim não se repitam velhos erros,
pois quero crer que essa tal felicidade
não seja um sonho escapulindo entre meus dedos.
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Amiúde

By Lobodomar · June 8, 2008 · 15 Comments · 6 Views

(Seashells in the Light - Lynn Fecteau)
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AMIÚDE
(André L. Soares)
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Toda dor é só uma gota d’água
comparada à alma que me deste
(és uma canção apaixonante,
dessas que se ouve e nunca esquece).
Então, deixa fluir o amor...
é chegada a hora do sorriso.
Não... não chora!
Se tua natureza é impulsiva,
sinal que estás viva...
e ainda há tempo de sonhar.
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Toda cor que vejo, vem de teus olhos,
espelhos frente aos quais adoro estar
(parecem sinais luminosos,
faróis a me guiarem,... pelo mar).
Então, faça brilhar o amor...
enxuga a lágrima, mas deixa o sal.
Hoje preciso, mais que ontem,
do calor de teu carinho,... esse meu sol.
E se, em ti, a Natureza é poetisa,
sopra uma brisa de boas rimas
dentro do meu coração.
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Eu sei,...
quase sempre a poesia diz tudo,
mas tem dias em que eu queria ser mudo
para saber dar valor às palavras.
Não raro, eu me armo de escudos,
às vezes... me fecho entre muros,

e sinto que seria bem melhor
usar o olhar... para falar de amor.
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O Jardineiro

By Lobodomar · June 3, 2008 · 9 Comments · 10 Views

O jardineiro - Roberto Bérgamo


O JARDINEIRO
(Rita Costa)

Lembro-me bem
do homem simples,
de corpo arqueado,
que um dia elegi
guardião de minhas histórias
intermináveis;...
sua pele tinha tom escuro
e seu cabelo cinzento
era, em grande parte, coberto
por um velho chapéu de palha.

Não havia nada
que quebrasse sua rotina
de juntar a bagunça que o vento
fazia ao redor das roseiras,
exceto quando o sol
se despedia da tarde:
algumas vezes,
ele me olhava de soslaio;
geralmente
quando me ouvia entoando preces,
nos funerais que eu fazia
para os pássaros.
De suas mãos calejadas
sempre ganhei flores.
Era quando eu via
que o suor do dia
passeava em sua face.

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Refúgio

By Lobodomar · May 24, 2008 · 10 Comments · 7 Views














Foto: Fataetoile


REFÚGIO
(Rita Costa)

Ah!
Como é difícil
ficar à margem,
se entre um verso
e outro.
dou de encontro...
com meus sonhos...

Ah!
Ao me encontrar...
melhor me entendo
e como é dolorido voltar,
se os antigos esconderijos
eram muito mais bonitos.

Ah!
Como é difícil,
após ter ido tão fundo,
ver-me aqui encolhida
nesse poema resumido.
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Cás

By Lobodomar · May 22, 2008 · 13 Comments · 1 Views

(April in Old Aspen - Jack Terry)
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CÁS
(André L. Soares)
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Após longos anos de pura rebeldia,
justo quando minha cabeça
aceitou a democracia,
meus cabelos brancos se fizeram maioria
e me elegeram… ‘velho’.
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Soneto à Insustentabilidade

By Lobodomar · May 22, 2008 · 3 Comments · 1 Views

(Autumn Glade - Robert Wood)
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SONETO À INSUSTENTABILIDADE
(André L. Soares)
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Fadada ao fogo e à fuligem, a flora,
pela mão do homem (essa besta-fera),
também padece, tal a fauna inteira,...
...e o que será feito de nós, agora?
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Secos os rios, em toda Terra afora,
como viver por outras tantas eras?...
Se restarão apenas lembrança e poeira
nos olhos turvos de quem já nem chora.
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Quando a floresta for só mera história
e a natureza rebelar-se em fúria,...
ar e água limpos serão vãs quimeras;
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puro veneno habitará as artérias,
sem ter milagre que resulte em cura
à esfera inerte, estéril,... sem aurora.
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Mulher Carioca

By Lobodomar · May 6, 2008 · 5 Comments · 6 Views

(Mulher Carioca - Victor Fernandes)
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MULHER CARIOCA
(André L. Soares)
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Soltou cabelos ao vento, em Copacabana,...
vestida de verão, nas cores de Ipanema;
sorveu raios de sol, pela pele morena,...
brilhando no calçadão, por toda semana.
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Faiscando juventude, olhos soltando chamas,
pernas lindas, coxas grossas, na saia pequena,...
a voz suave da ainda menina, quase ingênua,
entoava belos sonhos de glamour e fama.
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Quem sabe algum poeta lhe cantasse a beleza;
pensando nisso, olha pro Redentor e reza,
ajusta a roupa e o passo, acerta o rebolado.
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Sensual, displicente (parece até que é sábado!),
com um sorriso que afirma que a vida é bela,
vai deslumbrando a todos que passam por ela.
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Uma Canção Urbana

By Lobodomar · May 6, 2008 · 13 Comments · 1 Views

(Roads IV - Stacy Dynan)
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UMA CANÇÃO URBANA
(André L. Soares)
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Pela janela do automóvel
toda a cidade passa rápida,
porém, meus olhos só vêem você.
Furo os sinais, de encontro à hora trágica,
mas enquanto ela não vem…
forço a sorte, indo além
dos limites do motor…
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Pareço ouvir o ranger das rotações,…
é só a voz do demônio do farol
e eu pisando fundo, na Rodovia do Sol.
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Uma a uma, vou ferindo as leis de trânsito.
No asfalto, gritam os quatro radiais.
Alguém buzina, para chamar minha atenção…
– esforço vão –
Ligo o rádio… aumento o som.
Acendo um cigarro.
Acelero ainda mais, rumo à BR-101...
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Em meu ouvido parece um ‘blues’,…
é só a canção do Vento Sul
e eu pisando fundo, na Rodovia do Sol.
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Soneto da Total Entrega

By Lobodomar · April 19, 2008 · 7 Comments · 0 Views

(Nude on Beach - Alfred Gockel)
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SONETO DA TOTAL ENTREGA
(André L. Soares)
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Tendo comprometido o coração
deu-se além, de modo mais complexo,
a saciar-lhe o peito, o ego, o gosto e o sexo,
sem haver se arrependido, então.
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Contudo, quanto mais ela se dava
de novo, mais queria inda se entregar,
como, provando, viciasse o paladar,
escravizando a alma, a mente e a palavra.
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E assim doou o pensamento após, até
face a veemência com que partia o corpo,
a ponto mesmo de lhe faltar o ar também,...
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matando a própria ambição, tal um aborto,
querendo ser somente a sua mulher,...
agora e sempre, na hora do amor, amém!
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