Poemas.

Além do Amor

By Lobodomar · February 8, 2008 · 11 Comments · 6 Views

(The Dream - Ron Di Scenza)

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ALÉM DO AMOR

(André L. Soares)

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Maravilhoso seria possuí-la,

mostrar-me todo e real a ela,

abrir à volúpia uma janela,...

o portão, a porta, a casa inteira,

até que se fizesse verdadeira,

alojando-se confortável ao coração.

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E por ser assim profunda, então,

toda palavra se tornando obsoleta,

a felicidade fazendo-se completa;

mergulhados os corpos no silêncio,

faríamos amor, como hoje penso:

a paixão elevada, além da poesia.

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A prática conduzir-nos-ia ao cansaço

e este, ao mais perfeito deleite:

vê-la dormir, tal anjo ao abandono;

instante em que,... atrevido,

eu pararia o universo,

só pra evitar que alguma luz distante

pudesse, talvez, incomodar seu sono.

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Beija-flor

By Lobodomar · January 24, 2008 · 7 Comments · 0 Views


BEIJA-FLOR
(Rita Costa)

Sem esforço algum,
beijei o dia
e o sabor das palavras
subiram e desceram
pelo céu de minha boca.
Por isso esse versejar
que agora
ecoa em meu peito.

Difícil mesmo
foi estancar o passo,
desviar meus olhos
das asas ligeiras e azuis.
Sem pedir licença
invadi um íntimo momento
das hortênsias.
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Paraíso

By Lobodomar · January 24, 2008 · 9 Comments · 1 Views

(Shady Lane - Kent Wallis)
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PARAÍSO
(André L. Soares)
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Vida tranqüila
se o amor
armado de carinho
e complacência
ataca com fervor
a violência
e a aniquila.
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Xadrez

By Lobodomar · January 24, 2008 · 6 Comments · 1 Views

(Chaos and Order - M. L. Walker)
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XADREZ
(André L. Soares)
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Para a frente, primeiro, movem-se os peões,...
aberturas lógicas, saídas consagradas,
preparam-se, assim, as fantásticas jogadas,...
na oitava casa aspiram obter promoções.
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Em apoio, há as torres, dobradas, perigosas;
os cavalos, ao centro, ameaçam xeque duplo;
há bispos que arquitetam sem qualquer escrúpulo;
damas sempre fortes, hostis e poderosas.
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Perseguido, o rei vulnerável se debate,...
contra ele estratégias, gambitos, armadilhas
e o tempo implacável sufoca o tabuleiro.
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Vida em preto e branco a mostrar-se por inteiro,
tantas ambições, muitos lances, duras trilhas
e a morte, de 'an passant', a impor o xeque-mate.
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À Gaia

By Lobodomar · January 2, 2008 · 17 Comments · 1 Views

(Seed - Johann Wilhelm Weinmann)
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À GAIA
(André L. Soares – 22.10.06 – BsB/DF)
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Chão!
Faça alguma coisa
em prol desses teus filhos,
traga uma dose
de dor e de martírio
a quem quer que explore
essa pobre gente;
e aos que te semeiam as sementes,
veja se lhes reserva dias melhores.
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Chão!
Apesar dos frutos e das flores,
eu custo a acreditar
que aqui ficaste inerte,...
ouvindo calado, tanta lamúria.
Por que não te convertes
no lobo dos injustos...
...sugando, aos milhares,
os faustos malfeitores?
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Chão!
Talvez não seja tarde...
mas de que serve a tua piedade
se dada a quem não merece?
Acorda e ouve atento,
todas as tantas preces
das nações carpideiras,
que não suportam mais a exploração.
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Então, abre veio em ti,...
Chão...
cospe de teus vulcões, agora...
tua raiva em lava, lança fora
e em catarse, erga uma bandeira
em prol dos infelizes.
Rasga tua carne em sismos,
inunda os latifúndios,
engula os edifícios,
devora os palácios,
inova esses espaços,
redesenhando o caos!...

Lança o planeta inteiro no escuro,
contanto que desapareçam os maus,
mesmo que sobrem apenas
cinco ou dez... pessoas puras,
terá valido cada rachadura e ruga
de tua pele... Chão.
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Depois, volta a dormir,
por incontáveis eras...
assenta o pó e a poeira...
e por que não?
Os poucos que ficarem,
por certo, saberão
fazer um mundo novo e melhor,
após tua justiça
feita de cataclismos...
Chão!

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Noite de Tormenta

By Lobodomar · January 2, 2008 · 7 Comments · 3 Views

(Sleeping Boy - Nikifor Stepanovich Krilov)
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NOITE DE TORMENTA
(Jenário de Fátima)
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É noite de tormenta, o vento urra,
como um felino preso, engaiolado
se esgueira pelas frestas do telhado.
Rebate nas vidraças, a porta empurra.
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O vento é bruto e mau, a terra curra,
de um jeito feroz, descontrolado,
de frente, atrás, de lado, espanca esmurra
(Eolo está feroz, está zangado!).
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Em noites de tormenta, noite assim,
uma mão vinha outrora com carinho,
calma e meigamente repousar em mim.
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Agora eu apalpo, tateio, em vão procuro.
Mas eu não encontro nada neste escuro
...comigo resta a dor de estar sozinho.
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Rastros

By Lobodomar · December 20, 2007 · 8 Comments · 1 Views

Foto: José Torres


RASTROS
(Rita Costa)
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Percorro as palavras
de um emaranhado mistério,
e elas invadem minh’alma,
deixando rastros...
em meus Pensamentos.

E eu... atrevida,
não delimitando o perigo,
as sigo.... e sinto!
Sou tomada pela noite
que me acolhe
e me faz engolir suspiros...
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Poesia em Carne Viva

By Lobodomar · December 11, 2007 · 18 Comments · 2 Views

(Dinner with Guest - Lorenzo Relli)
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POESIA EM CARNE VIVA
(André L. Soares - 04.10.06 - Guarapari/ES)
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A poesia é como um rio...
leito de verbos e vinhos,
onde uma alma se banha
na palavra que empenha,
soberana,... arte rainha,
devota paixão tamanha,
é a esperança que se cunha
capaz de mover montanhas.
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A poesia é largo esteio...
que mantém firmes os punhos
do homem simples que apanha,
sob o peso da desdenha,
e frente ao terror medonho
dos que estão quase sozinhos,
mas se unem, em rebanhos,
sem renderem-se às barganhas.
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A poesia é eterno cio...
em que se fecundam sonhos,
superando,... na artimanha
a maldade que avizinha
os corações feitos de estanho,
cruzando novos caminhos,
desvendando tantas senhas,
por seus férteis testemunhos.
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A poesia, então, é isso...
algum gesto de carinho
ofertado a um estranho,
– português, pária ou portenho –,
sem remorso e sem vergonha,
não tendo intenção de ganho,
mas de ser dócil resenha
dessa vida, tua e minha.
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(...)
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E sendo poesia... é infinda,
sendo bela, é ingênua,
sendo força, ela é bem-vinda,
e por ser amor,... há quem diga...
que a poesia é carne viva.
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Blogagem Coletiva:
INTERNET E POESIA - ISSO COMBINA?
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Este tema foi proposto por Ricardo Rayol,... poeta responsável pelos blogs: A Cor da Letra e Internet e Poesia (esse último, criado especialmente para a presente blogagem coletiva).
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A discussão proposta por Rayol pretende analisar os rumos e a utilidade da poesia veiculada na Internet, buscando saber em que isso ajuda os autores a publicarem seus trabalhos de modo a também ganharem dinheiro.
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De minha parte, posso dizer que a internet me é útil como fonte de aprendizado. Um infinito campo de troca de informações e experiências, que me permite aprender de modo mais dinâmico, absorvendo os mais variados estilos e técnicas de escrita. Essa troca é, sem dúvida, também fonte de grande inspiração, por conta das pessoas maravilhosas que se passa a conhecer (mesmo quando apenas de modo virtual).
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Quanto ao dinheiro, a Internet tem duas faces: de um lado essa se constitui na maior vitrine do planeta. Pessoalmente, já consegui, por meio da WEB, que alguns de meus trabalhos fossem utilizados em campanha publicitária, peça de teatro, curta-metragem, disco de banda de rock, entre outros. De outro lado, porém, a Internet - talvez - seja o maior campo de atuação de plagiadores, o que pode significar perdas e dores de cabeça pra muita gente.
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Não querendo aqui escrever algo que pareça pleonasmo, mas a verdade é que: para defender meu trabalho, eu tenho tido muito trabalho.
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Contudo, apesar de algumas perdas e danos - normais em qualquer atividade -, considero que os fatores positivos sejam muito superiores aos negativos. Então, penso que vale a pena usar a Internet para divulgar trabalos literários em geral. Ganhar dinheiro não será - pelo menos por agora - uma certeza. E, para os que ganham, provavelmente nada virá em volume significativo.
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Para a literatura amadora, a função maior da Internet é mesmo de 'vitrine'. É um modo barato, rápido e muito agradável de mostrar ao mundo o que se está fazendo, comparar com as demais produções e, claro,... aprender. Aprender com humildade. Aprender a respeitar o trabalho do outro. Aprender a receber duras críticas, com naturalidade. Aprender a receber elogios, sem deixar o excesso de vaidade subir à cabeça. Enfim, é na Internet que se entende a diferença entre mostrar o trabalho a amigos e parentes (sempre generosos em suas análises),... e mostrar o trabalho ao mundo (por vezes cruel e realista em suas apreciações).
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Ricardo Rayol, poeta-amigo,... quero parabenizá-lo por mais essa iniciativa. É importante que haja gente assim que, além de ser um excelente poeta, mostra-se também um ser humano integrado à vida, participativo e, no bom sentido, um agitador das boas causas. Grande abraço, Poeta!
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Grande abraço a todos!
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O Beijo

By Lobodomar · December 9, 2007 · 6 Comments · 6 Views

(The Kiss - Francesco Hayez)
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O BEIJO
(Clarrissa Yemisi)
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Tu foste todo sombra noite a dentro
pairavas e tragavas e tossias
por entre mãos de fumo tão vazias
é em ti, somente em ti, que me concentro.
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À grande custa, à força bruta, adentro
a tua fortaleza, carnes frias
e sinto exatamente o que sentias:
em tua alma o amor foge do centro.
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Como quem quer livrar-se de uma pena
e nesse vão delírio traiçoeiro
é a si - mas não somente - que condena.
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Depois tu vais embora sorrateiro
e a única ternura dessa cena
é o beijo no cigarro no cinzeiro.
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Leia mais Clarrissa Yemisi em: Miolos de Pote.

Ultimato

By Lobodomar · November 30, 2007 · 8 Comments · 1 Views

(Far Away Michael F. Wood)
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ULTIMATO
(Rita Costa & André L. Soares – 03.09.06)
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Eu quis ser tantas coisas
– ou ao menos, mais que isso –
ir muito além de esposa...
criar...
meus próprios paraísos.
Só não sabia que as escolhas
implicavam em sacrifícios
e vícios tamanhos...

O que eu faço agora...
se essa vida contrasta
com a imensidão dos sonhos?

Na verdade, venho há tempos...
exilando-os em mim mesma,
sobrevivendo de aparências,
presa ao marasmo do cotidiano...
tenho então, evitado conflitos
– na voz passiva –
e como um barco de desejos à deriva...
apenas prossigo.

Mas qualquer hora dessas
eu renasço...
saio sozinha, ganho a rua,
deixo tudo para trás,
em busca da alegria.
Não será sempre assim...
dia desses, crio coragem,
quem sabe até me mando,
assumo outra identidade...

Certo é que... não será hoje!
– tomara, não seja tarde... –
Só não me pergunte... ‘quando’...
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